Seis imigrantes em cinco estados americanos perderam entre US$ 1.300 e US$ 11.000 para redes criminosas que se passavam por escritórios de advocacia ou simulavam audiências falsas por videochamada. O padrão é sempre o mesmo: anúncios em redes sociais, promessas de soluções rápidas e pagamentos via Zelle, Venmo ou PayPal.
Como os golpes funcionam
Os golpistas criam perfis no Facebook, Instagram e WhatsApp fingindo ser advogados de imigração ou representantes de organizações conhecidas, como a Catholic Charities. Durante videochamadas, montam cenários convincentes: escritórios com diplomas, bandeira americana e até togas — chegando a encenar audiências virtuais idênticas às reais.
Odalys González Silvera, 61 anos, imigrante venezuelana no Bronx (NY), perdeu US$ 5.488 tentando ajudar um familiar detido. “Eles mostram um escritório com diplomas e a bandeira americana. É um show muito bem feito, com cenário e tudo”, relatou. Ela só percebeu o golpe quando pediram dinheiro para comprar “selos fiscais do regime venezuelano”.
Casos relatados em cinco estados
Brayan López (Michigan) perdeu US$ 1.300 após uma suposta audiência oficial no WhatsApp — o “advogado” usava peruca. Julián Jiménez (Flórida), colombiano à espera de asilo há 6 anos, pagou US$ 4.500 a golpistas que usavam o nome da Catholic Charities. Rogelio Martín Morales (Iowa) chegou a perder US$ 11.000 ao longo de um ano antes de perceber que o escritório era falso.
Por que as vítimas não denunciam
A maioria das vítimas não registra boletim de ocorrência por medo de que isso afete seu status migratório. “As pessoas não denunciam por medo de serem deportadas. Por isso não falam sobre o que acontece com elas”, disse López. Apenas uma das famílias contatadas pela Noticias Telemundo registrou queixa — na delegacia local, não junto às autoridades federais.
Segundo pesquisa do KFF e The New York Times (novembro de 2024), 41% dos imigrantes nos EUA temem ser detidos ou deportados — ante 26% em 2023. Especialistas afirmam que esse medo paralisante é exatamente o que os golpistas exploram.
Como se proteger
Especialistas em imigração recomendam:
- Verifique a licença do advogado no site da ordem de advogados do estado.
- Não pague via Zelle, Venmo ou PayPal. Advogados legítimos usam contratos formais.
- Exija atendimento presencial antes de assinar qualquer coisa.
- Desconfie de promessas rápidas. “Se prometem resolver seu caso em um mês, isso não vai acontecer”, alerta Pedro Alemán-Perfecto, do CLINIC.
- Verifique o domínio dos e-mails: comunicados do governo americano sempre terminam em .gov, nunca em .net ou .com.
- Use recursos gratuitos confiáveis: cliniclegal.org e o site oficial do USCIS.
“Acredito que assuntos de imigração devem ser tratados pessoalmente, indo ao escritório, conhecendo as pessoas”, concluiu González Silvera. “Pensei que algo pudesse ser feito bem pela internet. Mas não funcionou de forma alguma.”
Fonte : NBC