DHS planeja “guerra total” contra golpistas de imigração à medida que queixas de fraude dobram

O número de golpistas tentando capitalizar os temores de imigrantes ao se passar por advogados e agentes do ICE disparou desde a reeleição de Trump, apurou a ProPublica. Agora, o DHS diz que busca identificar e localizar esses fraudadores.

por Naisha Roy, Medill Investigative Lab, e J. David McSwane, ProPublica 16 de julho de 2026, 6h00

O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) está investigando uma rede sofisticada de golpistas que têm como alvo pessoas em processos de imigração, extorquindo suas economias e levando algumas à deportação, após uma reportagem da ProPublica mostrar que as queixas desse tipo de fraude dobraram no segundo governo do presidente Donald Trump.

A Homeland Security Investigations (HSI), subagência conhecida por rastrear crimes internacionais como o tráfico de pessoas, solicitou informações sobre casos específicos relatados na matéria, incluindo a história de uma mulher que, temendo as batidas nacionais de imigração de Trump, recorreu a alguém que achava que a ajudaria a manter seu status legal. Depois que os golpistas pegaram seu dinheiro e a fizeram perder uma audiência no tribunal, ela foi deportada para a Nicarágua.

Esse foi um entre milhares de casos em que golpistas atraíram vítimas por meio de publicações em redes sociais e as conduziram por audiências judiciais falsas e outros passos de aparência oficial, cobrando altas quantias ao longo do caminho. Agora, segundo fontes envolvidas na investigação, o governo federal está intensificando os esforços para rastrear os golpes.

Em nota, o DHS afirmou que estava “declarando uma ‘guerra total’” contra os golpistas.

“Os golpistas de imigração contribuem para um ambiente sem lei, minam nosso sistema de imigração e representam riscos à segurança nacional e à segurança pública”, disse o comunicado.

Segundo fontes com conhecimento da apuração, o DHS está buscando URLs, números de WhatsApp e informações de identificação no aplicativo de pagamentos Zelle que possam levar aos golpistas. A investigação do departamento se intensifica à medida que esses golpes disparam.

A ProPublica analisou dados da Comissão Federal de Comércio (FTC) e constatou que vítimas e defensores relataram o roubo de pelo menos US$ 94,4 milhões em cinco anos. As mais de 6.200 queixas incluíram de tudo: desde falsos agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) exigindo dados pessoais e ameaçando deportação até fraudadores que pedem dinheiro a estudantes internacionais explorando sua condição de visto.

Com frequência, os golpistas se passam por advogados oferecendo maneiras de evitar audiências presenciais, explorando a ansiedade mesmo entre residentes legais depois que agentes do ICE passaram a fazer batidas e deter pessoas durante processos de imigração.

Especialistas afirmam que os golpistas costumam anunciar em locais como Facebook e TikTok antes de migrar a conversa para o WhatsApp, pedindo dinheiro em troca de protocolos de imigração com aparência oficial. Conhecidos às vezes como “notario fraud”, esses golpes muitas vezes se baseiam numa tradução equivocada da palavra “notary” (notário), que em muitos países da América Latina implica credenciais jurídicas.

Nas últimas semanas, órgãos como o Departamento de Estado de Nova York, a Ordem dos Advogados da Flórida (Florida Bar) e departamentos de polícia locais emitiram alertas sobre esses golpes. A American Bar Association, que também vem alertando sobre impostores, tem estado recentemente em contato com investigadores do DHS.

No sul da Flórida, o advogado de imigração Angel Leal se deparou com centenas de vídeos gerados por IA usando sua imagem para oferecer ajuda no WhatsApp. Seu escritório teve de contratar uma empresa antipirataria para remover o conteúdo e mais de 6.000 perfis falsos, segundo reportagens da imprensa local.

Os vídeos, centenas no Instagram, são impressionantemente realistas. “Leal” aparece sentado numa cadeira de escritório, com pelos faciais e expressões que combinam com as do advogado real. A figura gerada por IA fala espanhol fluentemente, com gestos de mão enfáticos, uma planta ou caneca em primeiro plano e um diploma de Direito ao fundo. Detalhes sutis denunciam a farsa: alguns movimentos labiais não batem com as palavras, textos sem sentido aparecem em documentos e objetos se fundem.

Defensores e autoridades afirmam que as pessoas visadas devem documentar todos os anúncios, conversas por mensagens e informações de pagamento. E o DHS alerta os consumidores a desconfiar de advogados que anunciam diretamente nas redes sociais, operam pelo WhatsApp e aceitam pagamentos via Zelle.

Em abril, a ProPublica conversou com várias vítimas que compareceram a audiências judiciais falsas via WhatsApp, relatando suas histórias a “agentes” vestindo uniformes governamentais falsos. Especialistas dizem que falantes de espanhol são os principais alvos, e os golpistas frequentemente fingem ter vínculo com grupos de defesa proeminentes como a Catholic Charities USA, que tem sido inundada por relatos de fraudadores usando sua marca para encontrar potenciais vítimas.

“Entrar em contato diretamente com as pessoas por meio de um anúncio ou via WhatsApp e pedir dinheiro pelo Zelle não é algo que as agências da Catholic Charities jamais fariam”, disse Kevin Brennan, vice-presidente de relações com a mídia da Catholic Charities USA.

Tais grupos têm encontrado dificuldade para remover anúncios e contas de impostores. Mesmo quando conseguem, é barato e fácil para os golpistas criarem novos sites e perfis.

“É Whac-a-Mole”, disse Charity Anastasio, da American Immigration Lawyers Association, outra entidade cuja equipe e imagem vêm sendo imitadas.

Fonte : Propublica

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